Movie Rio Fm (Rio de Janeiro-RJ) Whatsaap: 21 98194-4184
Seguranças vão a júri popular por morte de jovem após 'gravata' em supermercado na Barra da Tijuca
14/04/2026
(Foto: Reprodução) Veja reportagem da época em que o jovem morreu no supermercado, em fevereiro de 2019
Mais de sete anos depois, a Justiça do Rio decidiu levar a júri popular os dois seguranças acusados de matar Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, de 19 anos, num supermercado na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. A data ainda não foi marcada.
O caso foi em 14 de fevereiro de 2019. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Pedro Henrique morreu após ser imobilizado por um dos seguranças com um golpe conhecido como “mata-leão”, que provocou asfixia.
O laudo de necropsia apontou que as lesões foram a causa da morte de Pedro.
Na decisão, o magistrado pronunciou Davi Amâncio por homicídio qualificado. Segundo o juiz, há elementos que indicam que ele “assumiu o risco de matar” ao imobilizar a vítima por estrangulamento.
O outro réu, Edmilson Félix Pereira, teve sua participação no crime reconhecida por ter sido omisso e forma a não impedir o resultado. Segundo a denúncia, como vigilante, ele deveria ter impedido a morte, mas ficou só olhando.
A decisão é da juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, que entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça
Vídeo mostra a ação
Segurança ficou sobre o homem, já imóvel
Reprodução/TV Globo
Imagens que circularam na época (veja no vídeo no início da reportagem) mostravam o jovem já desacordado no chão enquanto era contido por Davi Amâncio, mesmo após alertas de clientes. Testemunhas relataram que Pedro não reagia quando o golpe foi mantido e que o outro vigilante chegou a amarrar as pernas da vítima.
Um cliente chega a tocar no segurança, que responde: "Não segura, senhor, quem sabe sou eu".
Desesperada, a mãe de Pedro Henrique assistiu a toda a cena que terminou com o filho morto.
Outros seguranças se aproximam do local. Ao mesmo tempo, um cliente afirma que o rapaz está "roxo". E uma mulher grita: "está sufocando".
"Ele está desacordado", desespera-se outra mulher. Ainda sobre o rapaz, o vigilante grita com as pessoas ao redor: "Cala a boca".
LEIA TAMBÉM:
Câmeras de supermercado registram início da ação de segurança contra rapaz que morreu após 'gravata'; vídeo
Veja depoimento da mãe sobre a morte do filho
Pedro Henrique em foto nas redes sociais
Reprodução/Redes Sociais
O que dizem os citados
O g1 entrou em contato com a rede de supermercados nesta terça-feira (14) e aguarda resposta. Em nota enviada à época, em 2019, o Extra informou que os seguranças envolvidos no caso foram imediatamente afastados.
"A rede esclarece que repudia veemente qualquer ato de violência em suas lojas. Sobre o fato em questão, a empresa já abriu uma investigação interna e constatou de forma inicial que se tratou de uma reação a tentativa de furto a arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca. Após o indivíduo ser contido pelos seguranças, a loja acionou a polícia e o socorro imediatamente. A empresa já abriu um boletim de ocorrência e está contribuindo com as autoridades para o aprofundamento das investigações."
A equipe de reportagem tenta contato com a defesa dos dois réus.